Elas estão sob holofotes. São admiradas, são capas de revista, são lindas, magras e bem-sucedidas. Algumas colecionam milhões de seguidores nas redes sociais, como é o caso de Alessandra Ambrósio, que tem mais de 8,6 milhões de fãs no Instagram. Muitas são aclamadas sim. Mas, precisamos deixar uma coisa bem clara: vida de modelo apenas aparenta glamour. Na vida real e ainda mais para quem está começando, o esquema é hard, é bruto, é pesado.

Em meio a um backstage lotado, algumas esperam esparramadas pelo chão o momento do maquiador chamar o seu nome para finalizar a beleza do desfile. Elas jogam conversa fora, porém ninguém faz questão de esconder o cansaço. O motivo? As modelos estão trabalhando desde sexta-feira para que o Minas Trend seja um sucesso. Põe roupa, tira roupa, prende cabelo, tira maquiagem. Andam de um lado para o outro. O dia-a-dia delas é assim.

Depois de três dias como “gatas borralheiras”, na segunda-feira elas tiveram o primeiro momento como “cinderelas”: subiram na passarela para o grande e espetaculoso desfile de abertura.

Mas, como vida de cinderela dura pouco, por volta de 23h elas pegaram o rumo de casa. Júlia Aguilar, modelo de apenas 17 anos, celebra seu 3º ano consecutivo no Minas Trend. E ela conta que, para participar dos desfiles que começam às 16h, ela precisa acordar às 7h (isso porque na noite anterior deve ter ido dormir por volta de 01h). Acorda, pega o ônibus e às 9h, impreterivelmente, ela precisa bater o cartão no Expominas. E o horário que vai sair de lá? No mínimo às 21h (já que o último desfile começa às 20h). São no mínimo 12 horas ininterruptas de trabalho, sem contar o deslocamento, o stress emocional e saber lidar com toda a expectativa que as pessoas colocam em você.

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Júlia Aguilar no desfile do estilista Lucas Magalhães | PH: Agência Fotosite

Também é preciso jogo de cintura para saber contornar perrengues e surpresas que podem surgir no meio do dia. Um exemplo? O sapato pequeno ou grande. No caso de Júlia, que mesmo com três anos de experiência ainda sente um friozinho na barriga ao pisar na passarela, ela precisou enfrentar o perrengue de desfilar com um sapato grande no show de abertura do MW: “minha sapatilha estava muito larga, aí o Paulo precisou pegar umas fitas e amarrar como uma sapatilha de bailarina, para que ele não saísse do meu pé”, conta.

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Truque para segurar as sapatilhas nos pés da Julia no desfile de abertura

E falando em jogo de cintura, Jaque Cantelli, que participa do evento também há três anos, relembra uma situação que é o pesadelo de todas as modelos: na última temporada do SPFW ela levou um tombo na passarela. “Mas, eu levantei bem bonita e saí andando. Machuquei meu joelho e, como eu tinha um cruzamento (ia desfilar no próximo desfile), não tive tempo de olhar com um médico se era algo sério. Confesso que chorei muito, não por vergonha, mas pela situação”, conta.

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Jaque Cantelli em dois momentos no Minas Trend: desfile de abertura e desfile Sindijoia

Perrengue também é ver que algumas meninas começam a profissão muito novinhas, como é o caso da Mariana Perdigão. Com apenas 14 anos, esta é a 2ª vez que ela participa do evento. Mari é linda, fala com firmeza, desfila muito bem e entende que é uma super oportunidade ela já participar de desfiles tão importantes quanto os do Minas Trend. Mas, ao mesmo tempo, nos choca pensar que uma menina tão nova, que ainda está em fase de construção da sua identidade, já é submetida a tantas pressões emocionais e também exposta a situações que poderiam ser evitadas nesta idade.

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Mariana Perdigão: guarde bem este rosto! Ela tem muito futuro, né?

Viu só? Se seu desejo é trabalhar como modelo, não se esqueça: o glamour dura apenas 15 minutos (o tempo de um desfile). De resto, é trabalho duro, exige muita dedicação e disciplina, como qualquer outra profissão que está longe dos clicks.

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