A Conferência Rio+20, que acontece no Rio de Janeiro até amanhã, dia 22 de junho, reúne representantes e dirigentes de países pertencentes às Nações Unidas para discutir um tema importante: o desenvolvimento sustentável. Assunto que atinge todos os habitantes do planeta terra. Além dos parâmetros econômicos e ambientais, esta matéria muito tem a ver com a moda, que há tempos vem chamando a atenção para a importância da sustentabilidade. Seja utilizando de materiais orgânicos ou reciclados para a produção, seja usando mão de obra local em todo o processo de criação e produção, reduzindo assim a emissão de gás carbônico. Estilistas de todo o Brasil e do mundo têm se preocupado em incluir a sustentabilidade em seus projetos.

Um dos primeiros indícios de preocupação com o tema pela indústria da moda no Brasil foi no desfile de Jum Nakao, em 2008, denominado a costura do invisível. O estilista criou roupas riquíssimas feitas em papel e que eram destruídas pelas modelos ao final da apresentação. “Precisamos desnudar a nossa alma para revelar a capacidade de sermos leves, sonhar com indizíveis, impossíveis, inexplicáveis, indefiníveis. Há um possível ainda invisível no real”, disse o estilista à época.

Há muitos outros exemplos de como a sustentabilidade pode ser usada na moda. Também em 2008 e inspirado pelo desfile épico de Jum Nakao, Rogério Lima lançou uma coleção inteira, de carteiras a maxi bolsas, feitas com sacos de cimento e garrafas PET. Em 2010, durante as apresentações dos desfiles do São Paulo Fashion Week, Alexandre Herchcovitch apresentou peças confeccionadas com materiais reciclados para sua coleção masculina. Ronaldo Fraga e Mary Design também criaram várias coleções utilizando materiais orgânicos, como o algodão cru, além de utilizarem mão de obra de artesãos pertencentes a cooperativas. E há muitas edições, o Minas Trend Preview tem como temas assuntos que tem a ver com o desenvolvimento sustentável.

Outra forma de sustentabilidade na moda é a reutilização de peças. Em 2011, a americana Marisa Lynch aceitou o desafio de passar um ano, 365 dias, sem comprar roupas em lojas. No blog New Dress a Day (Um novo vestido por dia), Marisa postava os modelos estilosos e modernos que criava utilizando peças antigas do seu armário ou adquiridas por um dólar em brechós. Depois do desafio cumprido, a estilista resolveu continuar com o blog e dá ideias de como transformar roupas antigas em novas.

Ainda nos Estados Unidos, por exemplo, um dos países mais capitalistas do mundo e um dos maiores produtores de lixo de moda (só em 2007 foram mais de sete mil toneladas de produtos descartados, segundo a agência americana protetora do meio ambiente, EPA), a ideia de sustentabilidade é discutida há muito anos. E, para quem sabe aproveitar as oportunidades, a “moda” da sustentabilidade veio a calhar. Em 2003, a designer canadense Kim Munson criou a Orphanage Clothing Company, onde vende peças exclusivas produzidas a partir de roupas doadas.

Há também o bazar de troca. Muitas mulheres vêm criando novas e diferentes formas de realizar trocas de peças. O lixo de uma é o luxo da outra. A iniciativa foi criada por jornalistas da Revista Estilo, da Editora Abril, em uma reunião de pauta, divulgada nas páginas da edição e nas redes sociais e, pronto, a ideia pegou.

Você também pode inserir formas de proteger o nosso planeta. Crie, reutilize, troque, conheça, invista, reinvente. Vamos nos tornar autossustentáveis hoje em prol do nosso amanhã.

Deixe uma Resposta

Mais sobre 'Comportamento / Moda'