No começo era apenas um sonho. Literalmente. Fundada em 1990, pela artista plástica Maria Rita Malloy, a Arte Sacra nasceu de uma forma nada convencional. “Nossa mãe sempre criou vitrais e também fazia quadros e outras pinturas”, contam as gêmeas Carolina e Marcela Malloy. “Mas, em um certo momento ela ficou desmotivada com a carreira de artista e começou a buscar alternativas profissionais, que gerassem um maior retorno financeiro”.

Foi quando ela sonhou com seus elaborados vitrais. “Sempre fico arrepiada quando conto esta história. Uma noite minha mãe teve um sonho e nele uma mulher, vestida de branco, apontava para um cabideiro. E lá estavam todos os seus vitrais, pendurados em cabides”, relembra Marcela.

“Então, nossa mãe começou a buscar uma forma de interpretar este sonho: cabides, arte, vitras…”. Pouco tempo depois Maria Rita entendeu o que deveria fazer: aplicar seus conhecimentos artísticos na criação de roupas diferenciadas. No começo, a especialidade da Arte Sacra era desenvolver peças casuais. Itens em malha e cotton, sempre com uma estampas ou silks exclusivos.

E Maria Rita sempre buscou uma forma de fazer sua arte. Foi quando ela começou a bordar algumas peças e percebeu que este era um recurso interessante de agregar valor e ainda ter a chance de criar traços únicos. “Quando a gente começa a pensar, um vitral no cabide é muito mais algo de festa, né? Já que tem muitos detalhes, é mais elaborado”, diz Carolina.

Desta forma, em 1994 a Arte Sacra começou a produzir uma festa tímida. E foi assim até o ano 2000, quando a grife montou o seu showroom próprio e começou a produzir uma quantidade maior, para multimarcas de todo o país. “Foi um sucesso! Dentro deste crescimento da empresa, fomos observando que a moda festa da Arte Sacra era muito querida e vendia mais do que casual”, conta a dupla.

Neste caminho, as irmãs Malloy perceberam que o talento da Arte Sacra era realmente criar festa. “Era o que ficava pronto primeiro dentro de uma produção. Tanto no estilo, quanto na modelagem. Os vestidos saiam rápido e mais facilmente do que uma blusa ou saia casual”, relembram.

Assim, elas perceberam que, mesmo a festa precisando de um acabamento muito primoroso e contando com um elaborado trabalho de handmade, era mais gostoso desenvolvê-la. “A gente entendeu que a alma da empresa é festa”.

Campanha da coleção Vitrais | Verão 2010

No entanto, foi somente em 2010 que a Arte Sacra decidiu se apresentar ao mercado como uma empresa especializada em moda festa. “Foi no verão 2010. E para fechar o ciclo com excelência, fizemos uma coleção inspirada nos vitrais da minha mãe. Foi o momento de dependurarmos sua arte nos cabides. Fizemos uma homenagem e materializamos este sonho por meio da coleção batizada Vitrais”, diz Marcela.

E todas as peças contavam esta história. No catálogo e na campanha, os vitrais de Maria Rita apareceram projetados ao fundo, como cenário para as fotos. “Também desenvolvemos bordados a partir dos vitrais criados pela nossa mãe”. Neste momento, a marca completava 20 anos e vivia uma transição muito interessante. “Foi uma surpresa e uma emoção muito grande para ela”.

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