Bastam três minutos sem internet no celular pra eu me sentir como se estivesse na Idade da Pedra. E acho que todo mundo passa por essa dependência tecnológica nos dias de hoje. É incrível: quando saio com uma turma, a maior interação social acontece através do celular. É tanta rede social, tanta forma de se conectar, que parece que ninguém mais precisa da velha convivência pessoal. O que mais me preocupa quando meu celular só tem 20% de bateria é que não posso fingir que estou mexendo nele pra não ter que cumprimentar as pessoas. Aliás, pra quê cumprimentar conhecidos na rua se o lugar de fazer isso é no Facebook?

Meu celular tem tanto aplicativo que às vezes esqueço que a função dele é fazer e receber ligação. E a gente mexe tanto nesse aparelhinho ultimamente que ter uma bateria que dure mais de 12h é considerado algo tão extraordinário! Morro de saudades da bateria do meu Nokia-tijolão, que era recarregado a cada quatro dias. E aí fico pensando que, às vezes, Hitler só quisesse que a bateria do celular dele durasse mais de um dia.

Então começamos a postar cada passo que damos. São check-ins, indiretas, fotos, tantas informações que Orson Welles ficaria orgulhoso do grande Big Brother que criamos. Temos a necessidade de nos mostrarmos seres sociáveis e de vida agitadíssima. Fazer check-in em casa quando não vai pra balada ninguém faz, né?

Mas minha maior decepção nessa história de redes sociais são os parentes. Anda não consegui perdoar o Mark Zuckerberg  por ter permitido que eles tenham acesso ao Facebook. Sempre tem aquela tia que comenta um post sobre o extermínio das chinchilas asiáticas com algo do tipo “como vai sua mãe?”, ou uma foto linda que você custou a editar no Instagram com “Nossa, como você está diferente! Quem diria que aquela criança catarrenta ia ficar bonita assim!”. Ou pior: posta sua pior foto de infância. Aliás, essas notificações deveriam vir como “fulano marcou você em um constrangimento”.

E por falar em foto, qual a necessidade das pessoas postarem tanta imagem de comida? Se antes o garçom perguntava se a comida era para comer ou levar, agora ele pergunta “é para comer ou postar no Instagram?”. Tenho que controlar meus nervos para não comentar fotos com “esse filtro não combina com essa comida”. Sem contar que eu já não sei a cor verdadeira de uma alface.

A verdade é que somos cada vez mais dependentes dessa interação social/não social. De nos afirmarmos em um mundo cheio de filtros. O wifi sem senha é o novo melhor amigo do homem. E um copo d’água e a senha do wifi não se nega a ninguém.

7 Respostas para “Avisem ao inventor da internet…”

  1. É, realmente as coisas mudaram drasticamente. Venho de uma época ( e não sou tão idoso assim ), que para ter acesso a um extrtato bancário, voce se dirigia ao serviço de expediente, fazia a solicitação e em mais ou menos 15 dias, recebia o mesmo em sua casa através dos Correios, detalhe, datilografada. Hoje, se um caixa eletrônico leva mais de um minuto para responder, damos pancadas no display e ficamos irritados.
    Chegamos ao ponto de ficar tão refém das inovações tecnologicas que podemos trocar aquela velha frase “estamos no mato sem cachorro” por “estamos no mato sem internet”

  2. Marcia Diniz

    em razão de tanta tecnologia que nos aproxima do mundo, as pessoas se tornam cada vez mais sozinhas.
    A conexão não nos supre a necessidade de um olhar, de um toque ou qualquer estímulo dos sentidos.
    Estamos no mundo ou será que o mundo está em nós, com tudo de bom ou ruim que ele possui?

    Esquecemos que a tecnologia foi criada para facilitar a vida do homem e não para torn´-lo escravo.

    bjs filha!

  3. Stella Brasil

    Mas olha que coisa boa dessa danada, nos encontramos após longo “recesso”, posso ler você, ou melhor, o que escreve, vorazmente, com alegria e orgulho, e ainda indicar seus textos para meus amores cibernéticos. Isso é o bom dessa história… Mais uma vez, Parabéns!!! Beijo

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